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“Fim da discussão, estou me retirando”

Horas de discussão, páginas e páginas de conversa e em certo ponto alguém diz “chega! desisto, estou saindo da conversa”. Normalmente não é surpresa ver essa pessoa voltar a discutir o mesmo assunto novamente.

Eu acho isso particularmente engraçado.

  • Mostra até que ponto uma pessoa perde a paciência de explicar algo óbvio
  • Mostra até que ponto uma pessoa pode não compreender algo óbvio
  • Mostra que às vezes o óbvio é tão… subjetivo!

Faço isso frequentemente, perco a paciência principalmente quando o outro interlocutor insiste em uma determinada questão que já cansei de explicar.

Enfim, só um desabafo! :)

O deus do ateísmo prático

Boa parte dos ateus não se tornaram ateus de uma hora pra outra. São comuns os testemunhos de ateístas que criam em algo e foram aos poucos eliminando suas crenças até que nada mais restasse.

Eu mesmo sou um exemplo de ex-teísta que foi aos poucos eliminando minhas crenças e me tornando ateísta. Cheguei ao ponto de dizer que não cria em nenhum deus. Logo após comecei a ler sobre o budismo e meu discurso mudou para não me importa se deus existe ou não, embora eu ainda não acredite nele.

Todo mundo é ateu em relação à pelo menos um deus, seja ele YHWH, Shiva, Vishnu ou Zeus. Para mim é impossível admitir a existência de algum desses deuses citados, embora seja possível admitir a existência de um deus conceitual. Cada um tem seus motivos pra crer em um deus.

Eu costumo usar esse exercício mental pra explicar meu agnosticismo às outras pessoas, que chamo de ateísmo prático:

Na minha opinião, se existe um deus (e eu realmente admito a possibilidade de um deus existir) ele não tem poder de comunicação conosco, talvez ele nem tenha percepção para compreender que temos inteligência suficiente para cogitar sua existência.

Esse deus também não tem o mesmo senso de ética que nós, ele não obedece as leis de justiça que nós criamos como humanos. Meu deus hipotético criou leis que em hipótese alguma podem ser quebradas, ele não precisa ficar constantemente monitorando sua obra, talvez ele nem exista mais.

O deus-descoberto-pelo-Alexandre também não tem necessariamente inteligência superior à nossa. Eu gosto de admitir que esse deus, embora represente uma identidade única e viva, talvez tenha criado o universo ao acaso. Deus seria um tipo de vida megascópica, grande demais para enxergarmos ou complexa demais para compreendermos.

Eu poderia inclusive admitir que o próprio universo é um deus, que nos criou sem consciência disso. É um deus sem personalidade, sem o aspecto humano que quase todos os deuses criados pelos humanos tem. Algo parecido com o conceito de panteísmo.

No final explico para a pessoa que se existe um deus com características que o tornam irrelevante, talvez seja mais prático admitir que não existe um deus. Meu agnosticismo, de um modo prático, é ateísmo.

Esse post foi criado com o intuito de participar do Debate Interblogues criado pelo Helder Sanches.

TV Senado é chato

Esses dias abri a TV Senado enquanto procurava por entretenimento. O tema em pauta era sobre a quebra da patente de medicamentos pra AIDS, o que me interessa muito devido ao período em que trabalhei na saúde pública da Prefeitura de Sâo Paulo.

Engraçado é ver como alguns senadores falam o português muito mal e argumentam de maneira péssima. O senador que me chamou atenção foi o Tião Viana, com ótimos argumentos e idéias sobre o tema citado.

É bastante interessante ver a lista de senadores e navegar através das páginas pessoais dos mesmos. Muitos deles colocam os projetos de lei enviados pelos mesmos e com isso dá pra ter uma ótima noção de quem trabalha e no que trabalham.

Embora eu ache muito chato ver isso com frequência, é interessante saber o que acontece no Brasil às vezes. Os senadores argumentam de maneira interessante e tudo te faz ficar com curiosidade sobre os assuntos. Há muita informação que não vejo nas notícias veiculadas pela mídia.

Até mesmo o Senador Marcelo Crivella me surpreendeu com ótimos projetos apresentados. Confesso que tive bastante preconceito com esse senador e continuarei a pesquisar sobre ele para formar minha opinião.

A ciência adora admitir que está errada

Não sei onde ouvi isso, mas não sai da minha cabeça. A ciência adora admitir que está errada, e isso é verdade. As mais famosas teorias geralmente não nasceram prontas, foram refinadas com o tempo.

Ptolomeu por exemplo, que criou o modelo astronômico com a Terra ao centro do sistema solar, tinha cálculos bastante precisos que confirmavam exatamente suas idéias. Aquilo bastava para época, seu modelo durou centenas de anos. Hoje ele provavelmente ficaria emocionado com a capacidade e acurácia que temos pra desmentí-lo completamente.

Esse é a grande característica da ciência: não há verdade absoluta. Se a ciência pudesse falar ela não se cansaria de dizer “Prove-me que estou errada e lhe darei um prêmio”.

Ah, e não esqueça que embora ela adore admitir que está errada, odeia quem tenta enganá-la. Sai pra lá pseudociência!

Argumetentes

Um tipo de argumentador que não gosto é o típico argumetente (neologismo que acabei de criar), aquele pseudo-argumentador que não sabe a hora de falar e insiste em atropelar o que você fala com a opinião dele.

Argumetentes geralmente se acham os donos da razão e por esse motivo imaginam que ninguém deve falar, além dele obviamente. Por esse motivo eles simplesmente não deixam você desenvolver suas idéias em uma discussão e fazem uso de qualquer falácia pra calar os outros interlocutores (aqueles coitados que tentam debater uns com os outros).

A melhor maneira de frustrar um argumetente é deixar ele falar e não dar nenhuma atenção. Geralmente o que eles falam é dispensável.

Eu não tenho uma teoria, e você?

Esse post é completamente chato, embora útil. Conhecer o que é uma teoria antes de sair falando por aí minha teoria pra qualquer ideiazinha é uma boa prática.

Muita gente chama de teoria qualquer opinião, hipótese e principalmente qualquer especulação sobre determinado assunto ou fenômeno. Teoria na verdade é o nome que damos à hipóteses confirmadas, ou seja, algo comprovado.

A Teoria da Célula por exemplo não foi uma mera especulação ou devaneio de algum cientista esquizofrênico por aí, foi fruto de pesquisas, observações ao microscópio e décadas de estudo. Outra teoria famosa é a Teoria Atômica, sobre a natureza da matéria e o átomo.

Usamos a palavra teoria pra falar de um rascunho, mas ela trata daquilo que já é obra final. Uma teoria é o mais próximo da capacidade humana de testar a realidade e o método científico, é o objetivo de qualquer pesquisa.

E pra deixar mais claro, antes que haja confusão, podem existir várias teorias sobre um só fenômeno. É o caso da Teoria Atômica por exemplo, que passou por diversos estudos e foi sendo refinada com o tempo. São modelos.

Isso não significa necessariamente que a teoria anterior esteja errada, geralmente ela é apenas incompleta. A Teoria Atômica também é ótima pra ilustrar esse problema. Aquele modelo de átomo com elétrons orbitando ao redor do núcleo como se fossem planetas já foi substituído por um modelo mais recente de orbitais completamente diferente (ilustrado na figura). Isso não significa que o anterior esteja errado, tanto que nos livros de química ainda é comum ver o modelo antigo pela facilidade que temos em compreendê-lo.

Modelo de orbitais atômicos

Quando alguém criticar aquela sua idéia maluca com a frase “Não passa de uma teoria”, sinta-se orgulhoso! Na ciência, nada passa de uma teoria, não existem verdades absolutas.

Marketing é falta de ética?

Não, não é. Não qualquer marketing! É que não pensei em um título curto que mostrasse melhor minha idéia. E estou falando estritamente da propaganda no marketing.

Propaganda torna os produtos e serviços mais populares, faz com que se tornem mais consumidos e utilizados. Mas existe justificativa ética pra propaganda?

Sim eu sei, estamos em um mundo em que o dinheiro não é ferramenta, é obsessão. Nos preocumamos mais com o dinheiro do que com caridade, por exemplo. Como seria um profissional da propaganda se ele utilizasse a filosofia utilitarista em todos os seus trabalhos?

Algumas perguntas que deveriam ser feitas por eles para eles mesmos:

  • A propaganda é sobre um bom produto?
  • Existe um produto concorrente com melhor custo-benefício no segmento?
  • Estarei prejudicando as vendas de um produto melhor que o meu?
  • Essa propaganda será o melhor pra todos?

Eu arriscaria dizer que boa parte das propagandas não é ética.  Na minha opinião propaganda deveria informar para a população sobre os melhores produtos, nada além disso.  O que vejo são propagandas tentando popularizar produtos que sem dúvida não são os melhores.

Sabe aquele papo de trabalhar para o que você gosta, para o que você acredita realmente? Como seria bom se todos levassem à sério. :)

Panspermia

A vida foi criada ou surgiu na Terra? Vamos deixar essa pergunta pra depois. E se ela tivesse surgido em outro lugar?

Teria a vida que conhecemos surgido fora da Terra?Essa resposta parece estar perto de ser desvendada pelo professor de astronomia e matemática aplicada N. Chandra Wickramasinghe, da Universidade de Cardiff.

A panspermia em si não elimina a necessidade de haver surgimento da vida em algum lugar do universo, embora possa nos trazer respostas para o desenvolvimento dela na Terra.

Segundo Chandra, que estudou as partículas de nuvens interestelares durante anos, a vida provavelmente não surgiu em algum planeta. Essas grandes nuvens interestelares são em sua maioria compostas de hidrogênio, água, monóxido de carbono e pequenas partículas do que os cientistas chamavam de gelo sujo.

Posteriormente as descobertas de Chandra e outros pesquisadores levaram a dúvidas quanto a composição desse gelo, que poderia ser composto de carbono e não água. Diversos estudos em relação ao espectro da luz vinda desses aglomerados interestelares mostravam dados compatíveis com complexas moléculas orgânicas, que poderiam ter dado origem à vida.

Algumas outras evidências, se observadas do ângulo da panspermia, podem confirmá-la. Entre elas está a existência dos seres extremófilos (que sobrevivem em condições extremas de temperatura, ambiente, pressão e falta de oxigênio) que poderiam ser descendentes diretos dessas formas de vida externas que teriam chegado à Terra pela atmosfera.

Se a hipótese de Chandra estiver correta, pode acrescentar dados importantes e cobrir uma série de mistérios ainda não solucionados relacionados à Teoria da Evolução.

O biólogo ganhador do Prêmio Nobel Francis Crick inclusive acreditava que talvez a panspermia tenha sido proposital, iniciada por algum tipo de inteligência de outro planeta, embora não haja nenhuma evidência disso. Talvez se um dia tentarmos terraformar outro planeta, seja necessário semear algum tipo de vida nele, e isso possa ser considerado panspermia.

Como surgem as drogas ilícitas?

Muitas drogas ilícitas tem origem na própria cultura humana, como a Maconha que era utilizada por diversas civilizações para fins terapêuticos, religiosos e inclusive para fazer papel.

Hoje é comum ver novas drogas nascendo, como aconteceu com o LSD, completamente sintetizado. Eu particularmente não sei até que ponto existe esforço para criar drogas por motivos de recreação, afinal o LSD foi criado com propósitos médicos, embora eu acredite que devam existir pesquisadores trabalhando nisso.

No próprio exemplo da maconha, podemos observar que existe uma atividade para potencializar os efeitos da droga, com intuito de torná-la mais forte.

Será que existe uma pesquisa aplicada por trás da criação de novas drogas, ou as mesmas surgem ao acaso?

Terraformação e Novos Planetas

Demorou para aparecer o primeiro planeta em uma zona habitável fora do sistema solar. A notícia é empolgante, mas as chances de encontrar um planeta semelhante à Terra são baixas.

Entre os planetas em uma zona habitável que conhecemos estão a Terra, Vênus, Marte e esse novo descoberto, o Gliese 581c. Há chances desse novo planeta ter características similares à de Vênus, com pressão altíssima e atmosfera venenosa, ou mesmo igual a Marte, um grande deserto seco e gelado.  Há também a possibilidade de ser algum outro ambiente hostil que ainda não conhecemos.

A idéia de mudar de planeta não é velha e também não é tão fantasiosa assim. Existem estudos para terraformar (atribuir a forma de Terra) à planetas como Vênus e Marte, tornando-os habitáveis.

Para terraformar um planeta como Vênus, temos que alterar a imensa pressão de sua atmosfera (ou viver em grandes altitudes) e transformar o dióxido de carbono contido nela em oxigênio, entre uma centena de outros processos que sem dúvida seriam muito caros, embora talvez sejam a única alternativa para o futuro.

Carl Sagan, um famoso astrônomo e biólogo norte-americano, publicou nos anos 60 e 70 uma série de artigos sobre terraformação de planetas como Vênus e Marte. Entre esses artigos está o The Planet Venus e Planet Engineering on Mars, de 1961 e 1973 respectivamente. Desde então vários outros  estudiosos vem trabalhando nessa possibilidade.

Eu particularmente acho mais provável terraformar um planeta do que mudar para um centenas de anos-luz distante de nós.